terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As curvas se acabam e na estrada de Santos eu não vou mais passar

   Quantas crises passaremos ao longo da vida? Crise de meia-idade para os homens e a menopausa para as mulheres. A adolescência com as espinhas , rebeldia e lamentações sem fim. Depois vem a faculdade... Ah, a faculdade! Um mundo novo e gigantesco, que a uns engole e a outros encanta. É a fase de “encontrar sua turma”. E daí o mundo se descortina: as aulas ,festas, as drogas, o sexo, as figuras humanas pouco ortodoxas. E amigos que dividirão com você as coisas mais urgentes da vida: sorrisos, tristezas, saudades de casa, rodas de violão, miojo, sonhos, noites em claro, alegria, cigarros, decepção, dores-de-cotovelo, provas , choro, tubão, viagens e o pouco dinheiro que se tem.
   E quando não tem pai e mãe no quarto ao lado , qual exatamente é a sua casa: o lugar onde passa 90% do seu tempo ou a casa onde viveu a vida toda, onde ainda tem brinquedos seus guardados num fundo de armário? E meio de repente você se dá conta que mal passou a fase das saudades, surgiu um novo sentido pra palavra lar, mesmo estando num lugar completamente novo. Então você muda seus conceitos, seu entendimento de mundo e do que é a sua casa. Lar não é mais a casa com família, cachorro, almoço quente na mesa e roupa passada na gaveta. Lar sequer significa uma casa, no sentido físico. Sentir-se em casa já não quer dizer se esticar no sofá e ver tv, sentir-se em casa é estar com aquelas pessoas que , a despeito de todas (e tantas) diferenças, são aquelas com as quais você se sente completamente à vontade. Daí lar passa a ser a casa do amigo que é ponto de encontro da galera, ou a cantina da faculdade, o boteco fuleiro em frente ao câmpus, a sede do diretório acadêmico.
   Quando menos esperamos estamos cercados de tipos humanos tão distintos que jamais esperaríamos conhecer, que dirá tê-los como família. Sim família. Com tudo de bom e ruim que isso possa significar, muito amor e ódio, brigas e declarações de amor. E depois de todos os altos e baixos, idas e vindas resta só quem importa de fato. O cara legal, lindo e descolado que começou a freqüentar a roda um certo tempo logo perdeu a graça. E sumiu sem que a sequer tenhamos dado a falta. A namorada antipática daquele amigo mudou de cidade pouco depois que eles terminaram. Tampouco sabemos o destino da namorada de outro amigo, aquela que era legal e logo ganhou a simpatia de todos.
   Depois de passar por todas as dúvidas e incertezas da graduação aos poucos todos vão “tomando seu rumo”, passando a assumir novos papéis. Um amigo arrumou um emprego novo e agora ganha muito dinheiro, outra casou e teve filhos, outro só casou, outro só teve filhos. Dois passaram num concurso público, um está esperando ser chamado e outro já mudou de estado. Aquele que parecia ter um futuro promissor na universidade, veja só, abriu uma lojinha de doces e está muito feliz. As noitadas de bebedeira, amanhecer fora de casa, ir pararem festas com gente estranha, tudo isso terminou. Viramos adultos! (e agora?) Agora podemos nos permitir ir a lugares mais sofisticados, mas falta tempo. E sobram dúvidas. Achamos que a vida adulta chegaria e nossas incertezas iriam embora. Mas elas só deram lugar a novas incertezas. E agora não dá pra deixar pro futuro porque estamos vivendo o futuro. Hoje já é o futuro.

3 comentários:

Cianna disse...

Há muita coisa da MINHA vida no texto... mas ele é incrivelmente bem escrito!!!

Unknown disse...

parabéns vah...a ci me falo desse seu blog...muito legal esses seus textos...paraéns mesmo...hehehehheh

Valéria Pedrochi disse...

OBrigada Ci e Carlos! :)

E Cianna, tem muito da sua vida aí sim. Não por acaso...